Capitulo 3.

O dia chegou e lá estava eu jogada no meio do nada como um pacote de cocô fedido que ninguém quer...
-Nossa!!! - exclamou uma garota que saia de sua casa - Mãe! Tem alguém desmaiado aqui na rua!!!
Ela correu até mim e tentou me despertar - Ei, menina! Você esta bem??
Levantei ainda meio zonza e dolorida por dormir no chão, estranhei o lugar onde eu estava, jurava que tudo aquilo tinha sido um sonho...
-É... Eu estou bem, obrigada... Onde estou? - perguntei.
-Você esta na frente da minha casa! - disse a menina - Porque estava dormindo no chão? Se é que você estava dormindo, ou desmaiada... não sei '-'
-Er.. Bem, eu.... é.... - Será que eu conto a verdade? Se eu contar ela pode me achar uma doida e acabar chamando a polícia pra me levar pra casa... - Eu perdi minha família.... - falei triste, não era uma mentira, mas também não falei o real motivo...
-Nossa! Mas como assim? Eles foram embora e te deixaram?
-Eles morreram... - falei com os olhos mareados.... Já que eu não sabia se estavam mesmo mortos, não me senti tão culpada por mentir...
-Minha nossa! - exclamou surpresa - Mas e agora, você vai pra onde?
-Pra onde o vento me levar, talvez eu fique sentada aqui por algum tempo, ou talvez eu durma na piscina pública essa noite... Não tenho mais lar, não tenho pra onde ir...
-Não! Você tem sim! - disse a garota decidida - Mãe! Olha! Não era uma desconhecida, essa é a ...?
-Rita.. - falei
-Essa é a Rita, minha melhor amiga lá da escola, lembra que te falei dela? - disse a menina inventando.
-Oh Rita! Muito prazer, minha filha fala muito de você... Mas o nome da sua melhor amiga não era Kika ou Zica... não lembro, mas não era Rita! - disse a mãe.
-Não mãe, esses eram apelidos dela! - mentiu - Você sabe como são os jovens, nunca chamam os amigos pelos verdadeiros nomes! Sempre por apelidos! Mas então, mãe... Mãezinha querida... Ela acabou de saber que os pais foram viajar a negócios e deixaram ela pra trás, será que ela pode ficar em casa por um tempo? - pediu a menina.
-Mas que barbaridade! - exclamou a mulher - Como os pais podem viajar e esquecer o filho?
-É que eles estão sempre muito ocupados, e as vezes se esquecem de mim - falei fazendo beicinho e carinha de cão que caiu da mudança.
-Tudo bem, eu entendo bem como é isso... Meu pai era assim! - disse a mulher - Você pode ficar o tempo que quiser minha querida! Amigas da minha filha são sempre muito bem vinda nessa casa!
-Muito obrigada mãe! - exclamou a menina, bem feliz e logo saiu correndo e eu fui atrás dela.
-Venha! Você vai adorar o meu quarto, venha, venha!!
Entrei no quarto dela, e realmente era muito bonito, um quarto que eu nunca tive, e acho que nunca teria...
-É lindo! - falei sorrindo - Obrigada por acolher uma completa estranha, nunca imaginei que encontraria alguém de coração tão bom! - agradeci.
-Imagina! Eu gostei de você, seus olhos tem verdade neles! - disse toda feliz - Ah, meu nome é Felipa! Muito prazer!
Aquelas palavras me deram um frio na barriga, eu precisava dizer a ela a verdade - O prazer é meu... Sabe... Eu tenho que te contar a verdade!
-Verdade? - questionou Felipa - Que verdade?
-Eu não perdi meus pais, bom, eu nem sei se tenho e se estão vivos, mas. Eu fugi de casa! - falei triste.
-Você fugiu? Mas porque? Porque mentiu?
-Não foi bem uma mentira... Eu morava com uma mulher muito má, ela me fazia trabalhar e me batia muito... Dizia que era minha tia mas eu duvido disso! Ela disse que meus pais morreram mas nunca me disse como e nunca falou deles pra mim... Eu estava cansada de ser escrava dela, e hoje é meu aniversário! Estou fazendo 18 anos! E ela nunca iria me deixar ser livre... Me desculpe por mentir... Por favor não me mande de volta!!! - implorei.
-Acalme-se.. - pediu Felipa com jeitinho - Esta tudo bem, eu não vou te mandar de volta de onde veio, vou confiar em você porque.... Eu não tenho amigos...
-Não? Mas e a sua melhor amiga da escola? - perguntei surpresa.
-É tudo invenção, na escola ninguém gosta de mim, me chamam de nariz de porca e queimadinha por causa das minhas sardas... - disse triste.
-Esta tudo bem, agora você tem uma amiga! Seremos sempre amigas, e lhe sou muito grata por me acolher e me aceitar na sua casa mesmo sabendo que eu fugi da minha.
-Que bom!! eu tenho uma amiga agora! - exclamou ela cheia de felicidade - Mas então, sua tia não vai te procurar? Eu acho que ela vai querer que você volte...
-Não volto nunca! Precisava mesmo é de um disfarce pra ela não me reconhecer se me visse na rua... Apesar que quase nunca via ela saindo de casa....
-Eu já sei! Porque você não pinta o cabelo e muda seu visual? - disse ela.
-É verdade! Mas eu não tenho dinheiro pra comprar uma tinta de cabelo e nem roupas novas...
-Hora bolas, e eu aqui? Eu tenho um estoque de tintas novinhas e também tenho roupas que não uso! Venha, fique aqui na frente do espelho, mas de costa pra ele! Vou pegar a tinta e pintar e então você vê como ficou. Você não se importa se eu tiver apenas uma cor só não é?
-Não! Sendo diferente do tom do meu cabelo, aceito qualquer coisa! - falei empolgada.
-Ótimo! Vou pegar a tinta, um minutinho! - e assim ela foi buscar a tinta, e voltou com luvas e presilhas e tesoura... Algumas horas depois, fomos no banheiro lavamos minha cabeça e depois voltamos para o quarto, mas quando bati os olhos no meu cabelo.....

1 comentários:

Rita Oliveira disse...

Fiquei mesmo feliz por Rita arranjar uma amiga em quem confiar! Foi o melhor presente de aniversário! :d

Beijinhos